Bolsonaro já se tornou uma aberração moral e uma monstruosidade ética

HR SÃO PAULO/SP 27/11/2017 - FÓRUM VEJA: AMARELAS AO VIVO POLITICA - Jornalistas e colunistas da Revista Veja

Jair Messias Bolsonaro, em seu discurso, negou que seja um, digamos, messiânico. Mas não resistiu. Disse que quem prometeu dar a vida pela pátria poderia dá-la também para presidir o Brasil. O mais próximo de uma guerra que ele lutou foi uma prisão por indisciplina quando estava na ativa. Não! Não dá para aceitar calado. Aquele que espalha a cultura da violência entre crianças, ainda que sob o pretexto defensivo, não é exatamente um postulante a um cargo público. É uma aberração moral e uma monstruosidade ética.

Vale dizer: o conteúdo que ele expressa, depois de filtrar a realidade, apela ao grotesco, ao violento, aos símbolos da morte. E aí está a deformação moral. As relações públicas que estimula incentivam o confronto, a intolerância, a barbárie. Daí a monstruosidade ética. E, como é visível, ele se diverte em excitar o pior de cada um. Na cola das baixarias produzidas por Donald Trump em sua campanha — o futuro impichado da Presidência dos EUA —, também o nosso troglodita resolve corrigir a boçalidade de hoje com a de amanhã, que será superada pela do dia seguinte. Assim ele garante sua presença no noticiário. Ainda que este lhe seja negativo, tudo bem! Isso serve para alimentar os seus furiosos nas redes sociais, que, então, atacam “a mídia”, que promoveria uma perseguição contra seu pensador.

 

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O episódio da garotinha é só a expressão mais constrangedora da cultura da morte. Este senhor já é réu no Supremo por incitação ao estupro e injúria e foi denunciado por racismo pela Procuradoria-Geral da República no caso da ofensa aos quilombolas. O relator do primeiro caso é Luiz Fux, que está sentado sobre o processo; o do segundo é o ministro Marco Aurélio. Nas duas circunstâncias, o deputado apela à imunidade parlamentar e ao direito que teria de, titular de um mandato, dizer o que lhe dá na telha, o que incluiria considerar o estupro um merecimento que só deve contemplar as mulheres bonitas.

Dizer desta vez o quê? O Ministério Público Federal tem à sua disposição o Estatuto da Criança e do Adolescente para atuar. Bolsonaro é hoje um queridinho de promotores e procuradores. Assim como Deltan Dallagnol em seu vídeo gravado durante o expediente — uma expressão da improbidade administrativa —, todos ficamos sabendo que o Brasil tem um só e agudo problema: e seu nome é “corrupção”. Aquele que se dedicar a combater esse mal estaria apto a governar o Brasil, ainda que confesse, e o fez de novo em entrevista ao Globo, a sua brutal ignorância em economia e em qualquer outra coisa que diga respeito à administração pública. O país estaria a precisar de uma liderança moral. E ele, então, se oferece parar ser essa alternativa.

Candidato fascistoide

Ah, é verdade! A esquerda pode chamar de “fascista” até o Teorema de Pitágoras, não é? Como obrigar que o quadrado da soma dos catetos seja igual ao quadrado da hipotenusa? Abusa-se da qualificação para, bem…, desqualificar um adversário. No que me diz respeito, jamais abandonei o termo “fascistoide” para designar esquerdistas ou direitistas que fazem da intolerância a sua profissão de fé. Bolsonaro é um “fascista”? Falta um contexto histórico que justifique a designação. Mas é um fascistoide, vale dizer: atua à moda de um fascista extemporâneo. Todas as suas postulações apelam ao reacionário, à marcha para trás da história, à revolta das supostas vítimas que sonham com a possibilidade de oprimir aqueles que consideram seus opressores. A clientela para a sua pregação é vasta: pode seduzir tanto uma criada Juliana, saída do romance “O Primo Basílio”, de Eça de Queiroz, como o presidente da Confederação Nacional da Indústria, Robson Braga de Andrade.

Juliana considera que a responsável por sua vida amarga é Luísa, a patroa: rica, mimada, adúltera. Ela, Juliana, não! Tem uma vida reta e só colhe dissabores. Andrade, ora vejam, sente-se oprimido pelos sindicatos e pelas esquerdas. Bolsonaro alimenta os sonhos de vingança das Julianas e dos Andrades contra o que umas e outros julgam ser seus opressores. Em qualquer caso, a resposta se dá pelas mãos de um certo Messias, que considera, como os procuradores, a política o mal do mundo. Embora todos façam política: Juliana, Andrade, Messias e os procuradores.

 

 

 

 

Fonte: Reinaldo Azevedo 

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