Até agosto, Museu recebeu só R$98,1 mil em repasses orçamentários

O Museu Nacional e seu acervo de mais de 20 milhões de itens foram quase completamente destruídos após um incêndio que começou por volta das 19h30 deste domingo (2) e só foi controlado pelo Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro às 3h da manhã desta segunda (3). A tragédia na maior instituição de pesquisa do país traz perdas inestimáveis para a cultura e a educação brasileira.

Há anos, funcionários da instituição reclamam e denunciam sobre a corte de verbas para o Museu Nacional, o que impedia que obras urgentes fossem realizadas no edifício que chegou a ser residência da família imperial brasileira entre 1816 e 1821. Outros serviços também foram afetados e salas importantes do acervo tiveram que ser fechadas por falta de recursos. Professores chegaram a juntar dinheiro para tentar pagar o serviço de limpeza da instituição. Em 2015 (Governo Dilma Rousseff), o museu fechou ao público e os serviços foram interrompidos por falta de pagamento de funcionários.

O museu de 200 anos é vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que faz os repasses das verbas. No total, o Museu Nacional deveria receber R$ 550 mil, mas há quase quatro vem recebendo apenas 60% do montante. O reitor da UFRJ, Roberto Leher, afirma que o museu sofreu com cortes no orçamento porque a UFRJ está sob restrição orçamentária.

De acordo com um levantamento da Comissão Mista de Orçamento do Congresso Nacional, neste ano, até agosto, foram gastos R$51 mil para bolsas de estudos; R$17,8 mil em reestruturação e expansão do instituto; e R$28 mil em funcionamento. Ao todo, em 2018, foram gastos apenas R$98,1 mil para o Museu Nacional — cerca de R$12,2 mensais — para manter o Museu Nacional funcionando.

Enquanto isso, para a Copa do Mundo de 2014 (Governo Dilma Rousseff), foram gastos R$ 1,2 bilhão para a reforma do Estádio do Maracanã, também no Rio de Janeiro. A previsão era de que a obra custasse R$ 705 milhões. À época, o governo do Rio alegou que o aumento no custo da obra ocorreu devido à descoberta de um desgaste de material, o que exigiu a demolição da cobertura, além de exigências adicionais da Fifa.

Cultura não é prioridade

Os planos de governo aos candidatos à Presidência da República evidenciam o quanto o investimento em cultura, principalmente em relação à museus, não é uma prioridade dos governantes brasileiros. Apenas dois dos 13 programas presidenciais falam em proteção a museus. Sete trazem propostas para a cultura, mas sem especificar os museus. Quatro dos candidatos à Presidência não trazem nenhuma proposta para a cultura, aponta um levantamento da Lupa.

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