Uma das Três Caixas D’Água em Porto Velho é isolada por dano em estrutura

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Foto: Pedro Bentes/G1 RO

Uma das Três Caixas D’Água, na praça que leva o mesmo nome em Porto Velho, foi isolada na tarde da segunda-feira (22) pela Defesa Civil. A medida aconteceu após o Ministério Público de Rondônia (MP-RO) constatar dano em um dos pés da estrutura.

O laudo de vistoria realizado pela Defesa Civil mostrou que há uma corrosão em uma das sapatas (estruturas que dão sustentação) da caixa d’água que fica próxima à rua Euclides da Cunha. As autoridades acreditam que a urina de pessoas que passam por ali pode ter causado a corrosão na estrutura de ferro.

Em uma reunião com o MP-RO, na última quinta-feira (18), a Defesa Civil optou por isolar a área com fitas e avisos por escrito, colados na própria estrutura para realizar o escoramento e reforma da caixa. Também está prevista a manutenção das outras caixas, que até o momento não apresentam irregularidade.

Segundo o MP-RO, a prefeitura de Porto Velho se comprometeu com as obras, mas o procedimento exige licitação e uma empresa especializada para o serviço. Enquanto não há uma resposta, a área ficará isolada para a segurança dos visitantes e para a realização das futuras reformas.

O procedimento já tramita no MP-RO e diversos órgãos, como o Corpo de Bombeiros, o Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan) e Defesa Civil foram notificados.

Conforme o MP-RO, duas casas ao lado da Praça das Três Caixas D’Água correm o risco de serem atingidas em uma eventual queda da estrutura. A Defesa Civil informou que moradores e comerciantes já foram notificados sobre uma eventual necessidade de saída do local durante as reformas. Segundo o MP-RO, esse isolamento deve acontecer nos próximos 30 dias.

E 30 dias, também é o mesmo prazo dado pelo MP-RO para que o Município dê uma resposta sobre o trâmite da contratação de uma empresa especializada para trabalhar na reforma do patrimônio.

Segundo a promotora de Justiça do Ministério Público de Rondônia, Flávia Shimizu Mazzini, a população também possui parcela de culpa na falta de preservação do local.

“A estrutura mais antiga data de 1910. É evidente que haja uma deterioração natural causada pelo tempo, mas a má utilização da população também contribuiu. A caixa d’água mais deteriorada fica em um local mais escuro, onde a população possivelmente usa para urinar. O Município também precisa fazer a manutenção periódica por se tratar de um patrimônio tombado e antigo”, afirma a promotora.

No isolamento da estrutura, durante a tarde da última segunda, a Defesa Civil mostrou que duas das bases de uma das caixas d’água estão comprometidas. Em uma delas, é possível ver que o processo de oxidação do ferro avançou, causando um buraco.

“O risco não é de alto grau, mas existe na medida em que não for feito um escoramento (sustentação) durante o período de ventos fortes. Então, de forma preventiva, realizamos o isolamento para restaurar as bases comprometidas. Tanto o comércio, quanto os moradores em um raio de 50 metros, já foram informados sobre a situação”, explica o coordenador da Defesa Civil, Marcelo Santos.

Por que é importantes preservá-las?

A historiadora Yeda Borzacov, conta que as Três Caixas D’água vieram dos Estados Unidos em forma de kits. Elas foram instaladas pela empresa construtora da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré para abastecer Porto Velho com água.

A primeira foi erguida em 1910, as outras duas em 1912. Elas são tombadas pelo patrimônio histórico do Estado de Rondônia. Três tanques de forma cilíndrica cobertas com “chapeuzinhos”, que antigamente eram brancos, para manter a temperatura da água em uma região de clima quente. Hoje, além de dar nome a uma das principais praças de Porto Velho, elas também estampam a bandeira do município.

Cartão-postal de Porto Velho, as Três Caixas D’água, localizadas no centro da cidade, podem ser vistas de longe, mas é preciso chegar mais perto para ver que pichações e outras formas de vandalismo se contrastam com a história. Consideradas símbolos, uma das “Três Marias”, como são popularmente conhecidas, teve a infelicidade de se tornar banheiro de parte dos visitantes.

“É um descaso de todos nós. É um dever do Município destinar verbas necessárias para suas restaurações e da comunidade de Porto Velho que está muito omissa em relação a isso”, diz a historiadora.

Entramos em contato com a prefeitura de Porto Velho e aguarda retorno sobre a situação da licitação para manutenção da caixa d’água.

 

 

Por: Pedro Bentes – G1 RO

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